Dermatologia Brasília - Dr Francisco Leite - Brasilia DF

Nevus Congênito – Como Tratar Uma Marca de Nascença

Leitora da coluna conta seu problema e pergunta: Minha filha de 7 anos nasceu com um sinal, uma pinta marrom, do tamanho de uma caixa de fósforos , bem no meio da testa. Agora que ela está indo para a escola as outras crianças começaram a implicar… Isto foi um transtorno durante o ano inteiro e ela está pedindo para retirarmos esta pinta. Pergunto: Esta pinta pode ser perigosa? Há algum jeito de removermos este sinal? Ela já tem idade para tirar a pinta?

Resposta: Muito provável que sua filhinha tenha o que os dermatologistas chamam de Nevus Nevocelular Congênito. Seria necessário que ela fosse examinada pessoalmente para termos absoluta certeza mas, vamos hipoteticamente assumir que este seja o caso. Os nevus congênitos são relativamente comuns, ocorrendo em 2% dos recém-nascidos, independentemente da raça ou do sexo. Podem ocorrer em qualquer parte do corpo. Alguns, dependendo do seu tamanho e localização, podem ter impacto somente cosmético. Outros, como o nevus melanocitico congênito gigante além de inestéticos carregam em si risco significativamente mais alto (de 5 a 7%) de evoluírem para melanoma , um grave câncer de pele. Daí a importância de vocês, sem alarme pois pela sua descrição este não parece o caso, procurarem avaliação profissional .

Todas as pessoas precisam ser educadas quanto a importância da proteção contra a exposição aos raios Ultra-Violeta do sol. Isso é especialmente importante para quem tem um nevus melanocítico congênito, uma vez que eles podem, por si, representar risco adicional. Use e abuse do filtro solar (FPS 30 ou +), reaplicando com a frequência necessária (normalmente de 4/4 horas, ou a cada mergulho ou de 2 em 2 horas se em atividade física ao ar livre que leve ao suor). Use bonés, chapéus ou roupas que protejam adequadamente o nevus. Mesmo com todos estes cuidados, evite os horários de maior atividade da radiação (entre 10:00 e 16:00 horas). Nunca, nunca mesmo, deixe que uma pele com nevus congênitos sofra queimaduras solares.

A remoção cirúrgica pode ser planejada com calma. Se necessário, em mais de uma sessão, até a completa remoção do nevus com a menor cicatriz possível. Não existe limite de idade, mas, se possível, tentem fazer antes da puberdade. Na maioria das vezes é o próprio paciente que, como no seu caso, dá sinais de que a deseja. Não há porque não tirar esse sinal agora, desde que seja avaliada adequadamente pelo seu dermatologista.

No Japão os nevus vêm sendo removidos com sucesso, a mais de duas décadas, através do Laser de Ruby. Este laser está disponível em nossa cidade e pode ser uma outra opção. As vantagens estáticas são inquestionáveis, mas há controvérsias quanto a sua eficiência (o sinal pode voltar e novas sessões podem ser necessárias). Os estudos japoneses definem a técnica como segura e constatam que, pelo menos nessas duas décadas, não houve aumento na incidência de melanoma. Mesmo assim ela ainda não foi muito difundida no ocidente.

De qualquer modo, sua filha não precisa , se não quiser, carregar esta marca. Há soluções para o caso. Todas passam pela avaliação do cirurgião dermatológico de sua confiança.